Na curta pré-temporada, Caio Júnior não armou a equipe como o time catalão. O 4-4-2, na prática, tinha como referência o que Falcão tentou implementar no Internacional antes de perder o comando no vestiário e Roberto Mancini aplica no Manchester City: duas linhas de quatro na recomposição e praticamente um quadrado nas ações ofensivas, com os meias centralizando e abrindo espaços para o apoio dos laterais. Douglas, em tese, executaria a função do espanhol David Silva no time inglês, saindo da direita em diagonal para armar pelo meio.
A
formação da pré-temporada: um 4-4-2 híbrido com Douglas e Marco Antonio
voltando pelos lados, centralizando nas ações ofensivas e abrindo
espaços para o apoio dos laterais.
Alternou o 4-4-2 com meio-campo em losango e o 3-4-1-2 com Gabriel na ala direita e Mario Fernandes na zaga nos 3 a 1 sobre o Canoas. O sistema com três zagueiros foi mantido contra o Juventude em Caxias, mas o revés por 2 a 1 e a saída de Douglas fizeram o treinador voltar às duas linhas de quatro na vitória por 1 a 0 sobre o São Luiz com a entrada de Leandro em busca da velocidade desejada.
Nos 2 a 2 contra os reservas do arquirrival no Gre-nal, Caio Júnior voltou ao losango. Na virada sofrida sobre o Ypiranga por 2 a 1, início com duas linhas de quatro e 4-3-1-2 ainda no primeiro tempo, com Gilberto Silva entrando na vaga de Leandro. Nos 4 a 1 sobre o Santa Cruz, o tricolor gaúcho atuou praticamente em um 4-2-2-2 e no revés para o São José em grama sintética por 2 a 1, o retorno ao losango no primeiro tempo e o 4-3-3 desesperado na etapa final.
Em todas as oito partidas da primeira fase da Taça Piratini (1º turno do Gauchão), o desempenho foi tão hesitante quanto o treinador na busca da formação ideal. Ainda que os testes fossem compreensíveis em um início de trabalho, era nítido o conflito entre as ideias de Caio Júnior e o futebol cada vez mais pragmático e focado no resultado e menos insinuante do Grêmio. Nem venceu, muito menos convenceu. Acabou sem emprego com pouco mais de um mês e meio de trabalho efetivo.
Na melancólica “despedida” do treinador, nem o calor sufocante e as dificuldades de adaptação ao gramado justificam a atuação pífia de uma equipe frágil na marcação e que dependeu unicamente da inspiração de Kléber, que precisava ser articulador e atacante, e das jogadas aéreas com bola parada ou rolando.
No
revés para o São José, um dos muitos desenhos táticos testados: 4-3-1-2
pouco funcional pela
fragilidade na marcação e a dependência de Kléber e
das jogadas aéreas. Melancólica despedida
de Caio Júnior.
Mesmo com todos os problemas, a busca de reforços aprovados por Caio Júnior para, enfim, armar o time no 4-4-2 em linha – Souza e Facundo Bertoglio confirmados e Cristian Rodríguez em negociação, além do zagueiro Burdisso do Arsenal de Sarandí – sugeria um trabalho mais paciente, com a diretoria pensando a médio e longo prazo, com planejamento.
Com
os reforços confirmados e nomes em pauta, uma formação possível de Caio
Júnior,
se permanecesse: a volta das linhas de quatro com Souza no meio
e Bertoglio e Cristian Rodríguez
pelos lados.
Caio Júnior pode se queixar do tratamento um tanto preconceituoso de jornalistas, torcedores, jogadores e dirigentes que torcem o nariz para o seu jeito mais polido e solícito, sem gritos e socos na mesa ou piadas simplórias. Mas também precisa abandonar o discurso sempre se colocando como vítima e refletir sobre o que planeja na teoria e não consegue aplicar no contato diário com seus comandados.
No Grêmio, a impressão foi de que o técnico quis agradar a todos e não conquistou o respeito de ninguém numa história breve e repleta de equívocos.
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